Epigenetica.Traumas Relendo o artigo de NICOLE WETSMAN | PUBLISHED JUN 23, 2018 7:00 PM em Popular Science, Eu me permiti traduzi-lo para o português.

Este artigo baseado em pesquisas feitas por: – Kerry Ressler, chief scientific officer and James and Patricia Poitras Chair in Psychiatry at McLean Hospital in Massachusetts. Explica as mudanças que o estresse contínuo reflete nas mudanças epigenéticas dos menores.

O título deste artigo é:

-Traumas na infância podem mudar a maneira como seus genes se comportam e deixá-lo mais vulnerável a doenças-

Durante o governo Trump, o governo dos Estados Unidos separou mais de 2.000 crianças menores de 18 anos de seus pais depois de cruzar a fronteira sul dos Estados Unidos. As crianças, algumas ainda bebês, foram enviadas para abrigos, sozinhas, com seus pais detidos sob a política de “tolerância zero” do governo Trump em relação à imigração.

Trauma e exposição a grandes quantidades de estresse na infância estão ligados a mudanças epigenéticas – mudanças na maneira como o corpo liga e desliga os genes e regula os processos biológicos – que podem durar até a idade adulta.

Estudos mostram diferenças nos níveis de atividade de centenas de genes entre pessoas que sofreram trauma na infância e aquelas que não sofreram e, embora os cientistas não saibam como todas essas mudanças afetam a saúde, há boas evidências da função de alguns.

A maioria das pesquisas se concentrou em mudanças nos genes envolvidos com os receptores que regulam o hormônio do estresse cortisol.

As mudanças nesses genes, observadas em estudos com humanos e roedores, fazem com que os níveis de cortisol permaneçam elevados por mais tempo durante eventos estressantes e dificultam o relaxamento do corpo. “O trauma da infância, então, remodela a forma como o corpo responde ao estresse a longo prazo, ao longo da vida”, diz Ressler. 

Essa desregulação das vias de estresse saudáveis deixa as pessoas em risco de depressão e outros distúrbios psiquiátricos. O cortisol também está envolvido no sistema imunológico, de modo que as mudanças epigenéticas em sua função normal deixam as pessoas mais vulneráveis a doenças ao longo de suas vidas. Isso pode contribuir para o aumento do risco de doenças cardíacas, câncer e outras doenças adultas em pessoas que sofreram traumas na infância.

Os pesquisadores não têm uma boa compreensão das idades na infância em que o trauma provavelmente terá o maior efeito, embora a infância até os cinco ou seis anos de idade possa ser um período-chave, diz Ressler.

Há alguma evidência – em roedores, pelo menos – de que um retorno a um ambiente estável e acolhedor pode reverter algumas mudanças epigenéticas causadas por traumas no início da vida, diz Pollak. “Temos alguns dados biológicos de que o sistema permanece plástico”, diz ele. No entanto, não está claro por quanto tempo essa janela pode permanecer aberta para os humanos.

Mas, embora os pesquisadores possam não ter uma compreensão completa dos impactos genéticos e epigenéticos específicos da separação de crianças de seus pais, décadas de pesquisas consistentes de outras áreas da medicina dizem inequivocamente que é incrivelmente prejudicial, diz Pollack.